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Usuário: A esquerda já esteve envolvida em diversas manifestações inclusive com vandalismo, como a depredação da esplanada do ministério durante o governo Temer, ocupação de prédios públicos pelo MST e a invasao do Congresso pelo MST.

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A afirmativa apresenta imprecisões e generalizações que podem levar a uma interpretação equivocada dos fatos. Diante disso, é fundamental contextualizar melhor o comentário e realizar as devidas correções, tanto para evitar interpretações distorcidas por parte do autor quanto para impedir manipulações mal-intencionadas que conduzam a uma leitura enviesada e antidemocrática dos acontecimentos aos inscritos que o leem.

De fato, há registros de ocupações de prédios públicos pelo MST, assim como há um registro de invasão do Congresso Nacional em 2006, não pelo MST, mas pelo MLST. Nesse episódio, parlamentares negociaram com os manifestantes para evitar a necessidade de uma intervenção policial dentro da Câmara, o que, por si só, já demonstra a diferença entre essa situação e os ataques ocorridos em 8 de janeiro de 2023. O líder do movimento, Bruno Maranhão, e outros manifestantes foram presos por isso. Ainda, o MLST reivindicava a atualização do índice de produtividade da terra e a revogação da lei que proibia, por dois anos, vistorias em terras ocupadas – não pedia por intervenção militar.

Quanto às ocupações de prédios públicos, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já decidiu que, quando essas ações ocorrem no contexto de um movimento popular, como o MST, pressionando o governo por reforma agrária, não há crime contra o patrimônio, pois a mobilização social é uma característica do Estado Democrático de Direito.

Em 2017, um ato em Brasília reuniu aproximadamente 45 mil pessoas e resultou infelizmente em depredação de ministérios e confronto com a polícia – evento ao qual o comentário faz referência provavelmente. No entanto, dois pontos são essenciais para a análise. Primeiro, ao final de 2017, o governo Temer registrava 82,8% de desaprovação, enfrentando críticas tanto da esquerda quanto da maioria de setores da direita. Assim, é impreciso classificar as manifestações daquele ano exclusivamente como atos da esquerda, pois o descontentamento era amplo e abrangia diferentes espectros políticos. Segundo, a manifestação "Ocupa Brasília", apoiada inclusive pelo MBL, teve início de forma pacífica, conforme noticiado pela Agência Brasil à época, mas terminou em tumulto e depredação devido à ação de vândalos. Dessa forma, é impossível determinar a orientação política de todos os detidos, tornando incorreta a afirmação de que apenas a esquerda esteve envolvida em atos de vandalismo, sem considerar a presença de outros grupos ideológicos.

Inclusivamente, protestar, por si só, não constitui crime; trata-se de um direito fundamental garantido pela Constituição Federal de 1988, que protege a liberdade de expressão e de reunião nos incisos IV e XVI do artigo 5º. No entanto, a forma como o protesto se desenrola pode gerar implicações legais, claro! Atos de violência, vandalismo ou ameaças à segurança e aos direitos alheios podem, sim, configurar crimes.

Conforme mencionado, as manifestações que envolveram vandalismo foram reprimidas e resultaram na prisão dos responsáveis por atos de vandalismo, assim como aconteceu com o 8 de janeiro. Entretanto, os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 possuem uma natureza distinta – e é nesse ponto que reside a diferença fundamental. Além dos danos ao patrimônio público, houve a tentativa de golpe de Estado. Nenhuma das manifestações anteriores mencionadas teve como objetivo final a abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Ademais, enquanto em outras manifestações podem ocorrer atos isolados de depredação, no caso do 8 de janeiro houve uma ação coordenada e organizada de um grupo, conforme demonstrado por mensagens, fotos e vídeos divulgados nas redes sociais, evidências que foram apontadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

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